Do vinho tinto ao colesterol: os 10 maiores mitos do coração sob a lupa


Por Ramona Horndasch
17 min de leitura

Frau mit einem Glas Rotwein vor rotem Hintergrund

Num mundo em que a informação se difunde mais rapidamente do que nunca, os factos errados e os mitos sobre a nossa saúde estão por todo o lado – e o coração não fica de fora. Poucos temas estão tão repletos de desinformação e notícias falsas como as doenças cardíacas. Desde supostos remédios milagrosos até conceitos errados sobre o colesterol e o estilo de vida – muitos destes mitos podem não só induzir em erro, como, na pior das hipóteses, podem até ser fatais. Enquanto uma em cada três pessoas na Alemanha morre de uma doença cardiovascular, é assustador ver com que frequência meias-verdades perigosas aumentam ainda mais o risco, em vez de o reduzirem. É chegado o momento de analisar de perto os maiores mitos sobre o coração e esclarecer, com base em factos científicos, o que é verdade – pois só com a informação correta é possível proteger eficazmente o coração.

Mythos vs. Fakten

 

Mito: Um copo de vinho tinto por dia faz bem ao coração

Efeitos positivos do vinho tinto na saúde cardíaca, quando consumido com moderação

  • Vinho tinto e saúde cardíaca: estudos recentes demonstram que o consumo moderado de vinho tinto (até um copo por dia) pode ter efeitos positivos na saúde cardíaca. Em particular, o resveratrol e outros polifenóis presentes no vinho tinto parecem ter um efeito protetor sobre o sistema cardiovascular, graças às suas propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias.

Efeitos negativos do álcool no coração em caso de consumo excessivo

  • Risco acrescido de arritmias cardíacas: Estudos recentes demonstram que mesmo o consumo baixo a moderado de álcool pode aumentar o risco de fibrilação auricular. As pessoas que já sofrem de arritmias cardíacas devem evitar o álcool, na medida do possível.

  • Álcool e hipertensão arterial: Uma revisão sistemática demonstrou que o consumo de álcool, independentemente da quantidade, está associado a um aumento da pressão arterial e, consequentemente, a um risco mais elevado de doenças cardiovasculares. Isto é particularmente preocupante para pessoas que já sofrem de hipertensão arterial.

Rotwein Glas

Efeitos do álcool nas doenças cardíacas já existentes

  • Insuficiência cardíaca: Nas pessoas com insuficiência cardíaca, o consumo de álcool pode levar a um agravamento da doença. Mesmo o consumo moderado pode comprometer a função cardíaca, pelo que se recomenda vivamente um estilo de vida sem álcool aos doentes com insuficiência cardíaca.

  • Doença coronária (DC): Em caso de DC já existente, o consumo de álcool constitui um fator de risco para eventos cardíacos súbitos, como o enfarte do miocárdio. Um estudo recente demonstra que o consumo de álcool em doentes com DC deve ser acompanhado de perto e, em muitos casos, a abstinência total pode ser aconselhável.

  • Riscos em doenças cardíacas: Em pessoas com doenças cardíacas existentes, como insuficiência cardíaca, fibrilação auricular ou DCC, mesmo um consumo reduzido de álcool pode aumentar o risco de complicações adicionais. Por isso, a recomendação é frequentemente evitar ou restringir fortemente o consumo de álcool.
    HDL = colesterol bom; LDL = colesterol mau

Mito: O colesterol é sempre mau para o coração

O colesterol é uma molécula de gordura essencial, necessária para a formação das membranas celulares e a produção de hormonas no organismo. No entanto, desempenha um papel central no desenvolvimento de doenças cardiovasculares quando está presente no sangue em quantidades ou composições pouco saudáveis. Aqui estão as principais descobertas científicas sobre o colesterol e o seu efeito no coração:

Como o colesterol afeta o coração

  • Colesterol LDL (colesterol «mau»): a lipoproteína de baixa densidade (LDL) é conhecida como o colesterol «mau», porque tem tendência a acumular-se nas paredes dos vasos sanguíneos. Esses depósitos, também chamados de placas, provocam estreitamento e endurecimento das artérias (aterosclerose). A aterosclerose pode limitar o fluxo sanguíneo para o músculo cardíaco e aumentar o risco de enfartes do miocárdio e acidentes vasculares cerebrais.

  • Colesterol HDL («colesterol bom»): a lipoproteína de alta densidade (HDL) é considerada o «colesterol bom», uma vez que contribui para remover o excesso de colesterol das artérias e transportá-lo para o fígado, onde é degradado e eliminado. Um nível elevado de HDL pode, por conseguinte, ter um efeito protetor sobre o coração.

  • Triglicéridos: Para além do LDL e do HDL, os triglicéridos (um tipo de gordura no sangue) também desempenham um papel importante. Níveis elevados de triglicéridos, combinados com níveis elevados de LDL e baixos de HDL, aumentam o risco de doenças cardiovasculares. 

Como é que o colesterol afeta o coração?

  • Aterosclerose: Níveis elevados de colesterol LDL provocam depósitos de gordura nas paredes das artérias, o que leva ao endurecimento e ao estreitamento das mesmas. Estes depósitos estreitam os vasos sanguíneos, obrigando o coração a trabalhar mais para bombear sangue, o que aumenta a pressão arterial.
  • Doença cardíaca coronária (DCC): A formação de placas nas artérias coronárias reduz o fluxo sanguíneo para o coração e pode causar angina de peito (dores no peito) ou enfartes do miocárdio.
  • Risco de coágulos sanguíneos: as placas podem romper-se e formar coágulos sanguíneos que bloqueiam completamente o fluxo sanguíneo para o coração ou para o cérebro, o que conduz a enfartes do miocárdio ou a acidentes vasculares cerebrais.

Medidas para o controlo do colesterol e a saúde cardíaca

  • Tratamento medicamentoso: as estatinas são os medicamentos mais utilizados para baixar o colesterol LDL e reduzir o risco de enfartes do miocárdio e acidentes vasculares cerebrais. Novos medicamentos, como os inibidores da PCSK9, também demonstram uma redução significativa do colesterol LDL. Trata-se de um grupo de hipolipemiantes.
  • Mudanças no estilo de vida: Uma alimentação saudável para o coração (rica em fibras, frutas, vegetais e ácidos gordos ómega 3), A prática regular de atividade física, deixar de fumar e controlar o peso são medidas fundamentais para manter o colesterol em equilíbrio

Mito: as doenças cardíacas afetam apenas as pessoas idosas

O mito de que as doenças cardíacas afetam apenas as pessoas idosas é muito difundido, mas não é clinicamente correto. As doenças cardíacas podem afetar pessoas de qualquer idade, embora o risco aumente com a idade. Aqui estão algumas razões cientificamente fundamentadas pelas quais as doenças cardíacas não afetam apenas as pessoas idosas:

ältere Menschen tanzen

Os fatores relacionados com o estilo de vida desempenham um papel importante

Hábitos pouco saudáveis, muitas vezes adquiridos ainda na juventude, aumentam o risco de doenças cardíacas. Entre eles estão:

  • Alimentação pouco saudável: Uma alimentação com elevado teor de gorduras saturadas, açúcar e sal pode levar à aterosclerose (estreitamento das artérias) já em idades precoces, o que aumenta o risco de enfartes e acidentes vasculares cerebrais.
  • Falta de exercício físico: a inatividade física contribui para o excesso de peso, a hipertensão arterial e o aumento do colesterol – todos fatores de risco para doenças cardíacas.
  • Tabagismo: os jovens que começam a fumar cedo expõem-se a um risco consideravelmente maior de doenças cardíacas, uma vez que a nicotina e outras substâncias nocivas prejudicam o sistema cardiovascular.

Prevalência crescente de excesso de peso e diabetes entre os jovens

O excesso de peso e a diabetes tipo 2 estão a tornar-se cada vez mais frequentes também entre os jovens. Ambas as doenças estão intimamente ligadas ao risco de doenças cardíacas:

  • A obesidade conduz à hipertensão arterial, ao colesterol elevado e à resistência à insulina, que sobrecarregam o coração e aumentam o risco de doenças cardíacas.
  • A diabetes danifica os vasos sanguíneos e o coração, o que pode levar a enfartes ou acidentes vasculares cerebrais já em idades precoces.

Fatores genéticos

As doenças cardíacas também podem ter origem genética e afetar pessoas jovens, mesmo que estas tenham um estilo de vida saudável. Entre os fatores de risco genéticos contam-se:

  • Hipercolesterolemia familiar: uma doença genética que leva a níveis extremamente elevados de colesterol pode causar aterosclerose e ataques cardíacos já em idades precoces.
  • Malformações cardíacas congénitas: algumas pessoas nascem com malformações cardíacas que podem causar problemas cardíacos graves ao longo da vida.

Estresse e saúde mental

O stress crónico, que hoje em dia também se verifica cada vez mais em pessoas mais jovens, pode aumentar o risco de doenças cardíacas. O stress pode causar hipertensão arterial e fomentar comportamentos pouco saudáveis, como o consumo excessivo de álcool, o tabagismo ou uma alimentação pouco saudável, que sobrecarregam o sistema cardiovascular.

Doenças cardíacas em jovens atletas

Mesmo jovens aparentemente saudáveis, em especial desportistas, podem ser afetados por doenças cardíacas. Algumas doenças, como a cardiomiopatia hipertrófica (espessamento do músculo cardíaco) ou as arritmias, podem levar à insuficiência cardíaca sem aviso prévio, especialmente durante o esforço físico.

Homem com doença cardíaca

Mito: os homens são mais afetados por doenças cardíacas do que as mulheres

O mito de que os homens são mais afetados por doenças cardíacas do que as mulheres é muito difundido, mas enganador. Na verdade, tanto os homens como as mulheres são afetados por doenças cardíacas, embora com diferentes graus de gravidade e perfis de risco. A suposição de que as doenças cardíacas são sobretudo um «problema masculino» pode levar a que o risco nas mulheres seja subestimado – o que pode ter consequências graves. Aqui estão alguns factos médicos que refutam este mito:

As doenças cardíacas são a principal causa de morte entre as mulheres

As doenças cardíacas são uma das causas de morte mais frequentes entre as mulheres em todo o mundo, tal como entre os homens. Estudos revelam que as doenças cardiovasculares conduzem à morte com maior frequência nas mulheres do que, por exemplo, o cancro da mama. A suposição de que as mulheres são menos afetadas leva a que o risco seja frequentemente subestimado — tanto pelas próprias afetadas como pelos médicos.

Sintomas diferentes em mulheres e homens

As doenças cardíacas manifestam-se frequentemente de forma diferente nas mulheres e nos homens. Enquanto os homens apresentam frequentemente sintomas clássicos, como fortes dores no peito (angina de peito), as mulheres sofrem frequentemente de sintomas menos específicos, tais como:

  • falta de ar
  • Náuseas ou vómitos
  • Dores nas costas ou na mandíbula
  • Cansaço e sensação de fraqueza

Estas diferenças nos sintomas levam frequentemente a que as doenças cardíacas nas mulheres sejam diagnosticadas mais tarde ou, por vezes, nem sequer sejam detetadas. O diagnóstico tardio pode aumentar o risco de complicações graves, incluindo enfarte do miocárdio e morte.

Proteção hormonal – mas apenas até uma certa idade

Antes da menopausa, as mulheres apresentam um risco menor de doenças cardíacas do que os homens, devido à influência protetora do estrogénio. O estrogénio ajuda a regular os níveis de colesterol e a manter a elasticidade dos vasos sanguíneos. Após a menopausa, no entanto, essa proteção diminui rapidamente e o risco de doenças cardíacas aumenta significativamente nas mulheres, atingindo, em alguns casos, o mesmo nível ou mesmo um nível superior ao dos homens.

Os fatores de risco têm um efeito diferente nas mulheres

Certos fatores de risco, como a hipertensão, a diabetes e o tabagismo, têm frequentemente efeitos mais graves na saúde cardíaca das mulheres do que nos homens. Por exemplo, a diabetes aumenta o risco de doenças coronárias nas mulheres de forma mais acentuada do que nos homens. Além disso, as mulheres são mais suscetíveis ao stress e à depressão, o que aumenta ainda mais o seu risco de doenças cardíacas.

Um perigo subestimado: a microangiopatia

As mulheres sofrem com maior frequência do que os homens de uma forma específica de doença cardíaca coronária, conhecida como microangiopatia. Nesta condição, não são as grandes artérias coronárias que são afetadas, mas sim os pequenos vasos sanguíneos. Esta forma de doença cardíaca é frequentemente mais difícil de diagnosticar, uma vez que nem sempre é detetada em exames padrão, como a angiografia coronária.

Início tardio do tratamento nas mulheres

As mulheres tendem a ignorar os seus sintomas durante mais tempo e a procurar ajuda médica mais tarde do que os homens. Isto pode levar a que, em caso de enfarte do miocárdio ou de outros problemas cardíacos agudos, não sejam tratadas atempadamente. Além disso, há indícios de que, no diagnóstico e tratamento de doenças cardíacas, as mulheres são, em alguns casos, tratadas de forma menos agressiva do que os homens.

Mulher com enfarte e homem com enfarte, ambos a segurarem-se no peito

Mito: Um ataque cardíaco é sempre acompanhado por fortes dores no peito

  • O mito de que um ataque cardíaco é sempre acompanhado por fortes dores no peito é muito comum, mas enganador. Embora as dores no peito sejam um sintoma frequente de um ataque cardíaco, os ataques cardíacos nem sempre se manifestam desta forma. Especialmente em mulheres, idosos e diabéticos, os sintomas podem ser diferentes ou menos típicos. Aqui estão as razões pelas quais este mito não é verdadeiro:

Sintomas atípicos de um enfarte do miocárdio

  • Nem todos os ataques cardíacos se manifestam através das clássicas dores fortes no peito. Muitas pessoas, especialmente mulheres e idosos, apresentam, em vez disso, os chamados sintomas «atípicos», que podem ser facilmente ignorados ou mal interpretados. Estes podem incluir:

    • Falta de ar: Muitas pessoas afetadas queixam-se de falta de ar, sem que isso implique necessariamente a presença de dores no peito.
    • Náuseas e vómitos: estes sintomas não são frequentemente associados a um enfarte do miocárdio, especialmente no caso das mulheres.
    • Fraqueza ou cansaço extremo: Algumas pessoas relatam uma exaustão súbita e inexplicável, que surge sem motivo aparente.
    • Dores noutras partes do corpo: os ataques cardíacos podem causar dores nas costas, no pescoço, na mandíbula ou nos braços, sem que o peito seja diretamente afetado.

«Enfarte do miocárdio silencioso»

  • Em alguns casos, um enfarte do miocárdio pode até passar completamente despercebido. Este chamado «enfarte silencioso» ocorre frequentemente sem os sintomas típicos e é muitas vezes só descoberto em exames médicos posteriores, por exemplo, num ECG. Estes enfartes ocorrem com maior frequência em pessoas idosas e diabéticas, uma vez que a sua sensibilidade à dor pode estar comprometida.

Diferenças entre mulheres e homens

As mulheres apresentam frequentemente sintomas diferentes dos homens em caso de enfarte do miocárdio. Enquanto os homens têm frequentemente as clássicas dores intensas no peito, as mulheres queixam-se mais frequentemente de sintomas inespecíficos, tais como:

  • Sensação de pressão ou aperto no peito, que nem sempre é sentida como dor
  • Dores na parte superior do abdómen, que podem ser erroneamente interpretadas como problemas digestivos
  • Tonturas ou náuseas súbitas

Estas diferenças levam frequentemente a que os ataques cardíacos nas mulheres sejam diagnosticados mais tarde ou mal interpretados, o que pode atrasar o seu tratamento.

Mann relaxt im Sitzsack

Mito: quem tem problemas cardíacos deve poupar-se e não praticar exercício físico

O desporto e a atividade física desempenham um papel central na prevenção e no tratamento das doenças cardíacas. A prática regular de exercício físico não só melhora a saúde cardíaca, como também pode contribuir para retardar a progressão de doenças cardíacas existentes e aumentar a qualidade de vida.

Desporto em caso de doenças cardíacas existentes

Mesmo em caso de doenças cardíacas já existentes, é possível A atividade física – desde que realizada sob supervisão médica – pode ser segura e eficaz. Especialmente em pacientes com insuficiência cardíaca estável ou após um enfarte do miocárdio, o exercício físico contribui para fortalecer o coração. As vantagens são:

  • Melhoria da função cardíaca: o coração torna-se mais eficiente, o que conduz a uma melhoria da resistência e do desempenho.
  • Fortalecimento do músculo cardíaco: um músculo cardíaco mais forte consegue bombear melhor e, assim, fornecer oxigénio ao corpo de forma mais eficaz.
  • Melhor absorção de oxigénio: o corpo é melhor abastecido com oxigénio, o que aumenta a resistência.

Desportos recomendados

Para pessoas com doenças cardíacas, atividades de resistência moderadas, como caminhadas, ciclismo, natação ou aeróbica leve, são ideais. Estes desportos fortalecem o coração sem o sobrecarregar. O treino de força de intensidade moderada também pode ser benéfico para fortalecer a musculatura e melhorar a resistência física.

Precauções importantes

Embora o desporto seja benéfico para muitas pessoas com doenças cardíacas, estas devem sempre consultar um médico antes de iniciar um programa de treino. Algumas precauções importantes:

  • Esteja atento aos sinais de alerta: em caso de sintomas como dores no peito, falta de ar, tonturas ou batimentos cardíacos irregulares, o treino deve ser interrompido imediatamente e deve consultar-se um médico.
  • Controlos regulares: as pessoas com doenças cardíacas devem submeter-se a exames médicos regulares para garantir que o seu programa de treino continua a ser seguro e eficaz.
  • Sobrecarga cardíaca: O esforço físico intenso pode causar sobrecarga do músculo cardíaco em pessoas com doenças cardíacas. Isto pode desencadear complicações perigosas, como arritmias cardíacas, enfartes do miocárdio ou morte súbita cardíaca. Especialmente no caso de doentes que sofrem de angina de peito instável ou insuficiência cardíaca avançada (cf. Escala da NYHA), os esforços intensos representam um risco.
  • Adaptação inadequada do treino: Estudos científicos demonstram que o programa de treino em doentes cardíacos deve ser adaptado individualmente. Uma «solução única» não funciona neste caso, uma vez que a capacidade de esforço varia de doente para doente. Especialmente no caso da insuficiência cardíaca, dependendo do estádio da NYHA, o treino deve ser muito diferenciado e supervisionado por um médico.
  • Risco associado a uma fase de aquecimento insuficiente: estudos demonstraram que o início repentino de atividades intensas sem uma fase de aquecimento adequada sobrecarrega adicionalmente o coração. Uma introdução lenta e gradual à atividade física é fundamental para não sobrecarregar o sistema cardiovascular.
person zeigt auf Tafel: Thema: Omega 3-vs. Omega 6 Fettsäuren oder low fat?

Mito: as dietas com baixo teor de gordura são a melhor forma de prevenção contra as doenças cardíacas

  • O mito de que as dietas com baixo teor de gordura são a melhor prevenção contra doenças cardíacas tem vindo a ser cada vez mais refutado nos últimos anos. Antigamente, recomendava-se frequentemente a redução geral da ingestão de gorduras para diminuir o risco de doenças cardíacas. No entanto, a investigação moderna demonstra que o tipo de gordura é mais determinante do que a quantidade.

Gorduras boas vs. gorduras más:

  • As gorduras insaturadas, presentes em frutos secos, sementes, abacates, azeite e peixe gordo, são benéficas para o coração. Podem reduzir os níveis de colesterol LDL (colesterol mau) e aumentar os níveis de colesterol HDL (colesterol bom), o que diminui o risco de doenças cardíacas.
  • As gorduras saturadas e as gorduras trans, presentes em alimentos processados, fritos e carnes gordurosas, aumentam o risco de doenças cardiovasculares. Estas gorduras podem aumentar os níveis de colesterol LDL e promover a inflamação.
     

As dietas com baixo teor de gordura nem sempre são saudáveis para o coração:

Estudos demonstraram que as dietas com baixo teor de gordura conduzem frequentemente a um maior consumo de hidratos de carbono, em particular de hidratos de carbono refinados, como o açúcar e a farinha branca. Estes hidratos de carbono podem aumentar os níveis de glicemia e conduzir à resistência à insulina, o que aumenta o risco de doenças cardíacas e de diabetes tipo 2​(

 

A dieta mediterrânica como modelo:

A dieta mediterrânica, rica em gorduras insaturadas provenientes do azeite, frutos secos e peixe, é hoje considerada uma das dietas mais saudáveis para a prevenção de doenças cardíacas. Esta dieta demonstrou, em estudos, que pode reduzir significativamente as doenças cardíacas, os acidentes vasculares cerebrais e a mortalidade geral

 

Blutdruck

Mito: A pressão arterial baixa é sempre saudável

Contrariamente ao mito, a pressão arterial baixa nem sempre é saudável ou benéfica, mas sim um risco para a saúde. Torna-se especialmente problemática quando acompanhada de uma doença grave. Para conhecer a sua pressão arterial e a sua evolução, recomendamos que tenha o seu próprio aparelho de medição da pressão arterial . Além disso, é aconselhável que a frequência cardíaca seja monitorizada por um médico através de um ECG, para que seja possível detetar precocemente doenças cardíacas.

Tonturas e desmaios: quando a pressão arterial está demasiado baixa, não chega sangue suficiente ao cérebro, o que pode provocar tonturas, vertigens ou mesmo desmaios. Isto ocorre frequentemente ao levantar-se rapidamente (hipotensão ortostática) ou em caso de mudanças bruscas de posição.

  • Cansaço e fraqueza: os músculos e os órgãos podem não receber oxigénio suficiente, o que provoca cansaço, exaustão e uma sensação geral de fraqueza. Além disso, o coração tem frequentemente de trabalhar mais para fazer circular o sangue pelo corpo.
  • Suor frio e palidez: a circulação periférica, ou seja, a circulação nas partes externas do corpo, como mãos e pés, pode ser prejudicada em caso de pressão arterial baixa, o que leva a membros frios e pele pálida.
  • Problemas de visão: Devido à redução do fluxo sanguíneo para o cérebro, podem Podem surgir sintomas como visão turva, «estrelas» ou «escurecimento» da visão.
übergewichtige Frau/normalgewichtige Frau

Mito: Apenas as pessoas com excesso de peso apresentam um risco cardíaco elevado

  • Mesmo as pessoas magras podem apresentar um risco elevado de doenças cardíacas, especialmente se tiverem outros fatores de risco, como o tabagismo, a hipertensão arterial ou níveis elevados de colesterol.

Declaração sobre o mito: «Apenas as pessoas com excesso de peso sofrem de doenças cardíacas»

Este mito é falso e enganador. Embora o excesso de peso seja um fator de risco conhecido para doenças cardíacas, também as pessoas com peso corporal normal ou mesmo baixo não estão automaticamente protegidas contra doenças cardíacas. 

Fatores de risco cardiovasculares independentes do peso

Existem vários fatores de risco que podem causar doenças cardíacas, independentemente do peso corporal:

  • Predisposição genética: o historial familiar e os fatores genéticos desempenham um papel significativo nas doenças cardíacas. Uma pessoa pode ter um risco elevado, apesar de ter um peso normal, se houver casos de doenças cardíacas na família.

  • Colesterol e hipertensão arterial: as pessoas com peso normal podem, ainda assim, apresentar níveis elevados de colesterol LDL («colesterol mau») ou hipertensão arterial, ambos fatores de risco essenciais para as doenças cardíacas.

  • Tabagismo: Fumar danifica os vasos sanguíneos e aumenta o risco de aterosclerose e de enfartes do miocárdio, independentemente do peso corporal.

  • Diabetes: A diabetes aumenta consideravelmente o risco de doenças cardíacas, e há muitas pessoas com peso normal que sofrem de diabetes tipo 2.

  • Estresse e sedentarismo: Um estilo de vida estressante e a falta de atividade física podem causar problemas cardíacos, independentemente do peso.

«Metabolically Obese Normal Weight» (MONW)

Existe o termo «Metabolically Obese Normal Weight» (MONW), que descreve pessoas que, embora tenham um peso corporal normal, apresentam, ainda assim, fatores de risco para doenças cardíacas, tais como resistência à insulina, hipertensão arterial, níveis elevados de triglicéridos e colesterol HDL baixo.

Estas pessoas apresentam um risco acrescido de doenças cardiovasculares, apesar de, exteriormente, parecerem magras.

Possíveis doenças cardíacas em pessoas com peso normal

  • Fibrilação auricular: mesmo as pessoas com peso normal são suscetíveis a arritmias cardíacas, como a fibrilação auricular.
  • Enfartes do miocárdio: estudos revelam que até 25% dos enfartes do miocárdio ocorrem em pessoas com IMC normal.

As doenças cardíacas resultam da interação de vários fatores, incluindo a genética, o estilo de vida, a pressão arterial, os níveis de colesterol, a diabetes e o tabagismo. Embora o excesso de peso aumente o risco, as pessoas com peso normal também não estão imunes às doenças cardíacas. Por isso, é importante verificar regularmente a pressão arterial, os níveis de colesterol e a glicemia, bem como manter um estilo de vida saudável, independentemente do peso corporal.

 

Familie

Mito: as doenças cardíacas são inevitáveis se houver antecedentes familiares

O mito de que as doenças cardíacas são inevitáveis quando há antecedentes familiares é muito comum, mas não é medicamente correto. Embora a predisposição genética tenha um papel no desenvolvimento de doenças cardíacas, muitos outros fatores também influenciam o risco individual. Aqui estão as principais razões pelas quais este mito não é verdadeiro

A genética é apenas uma parte do quebra-cabeças

  • A predisposição genética pode aumentar o risco de certas doenças cardíacas, como a doença coronária ou o enfarte do miocárdio. No entanto, a genética por si só não determina o destino. Fatores como o estilo de vida, a alimentação e a atividade física têm uma influência considerável sobre se uma predisposição genética se manifesta efetivamente numa doença.

Fatores de risco modificáveis

Muitos fatores de risco para doenças cardíacas são modificáveis. Entre eles incluem-se:

  • Hipertensão arterial: Muitas vezes, é possível baixar a pressão arterial através de mudanças no estilo de vida, como a prática de exercício físico, uma alimentação saudável e a gestão do stress.
  • Níveis elevados de colesterol: Uma alimentação equilibrada e medicamentos como as estatinas podem controlar os níveis de colesterol.
  • Tabagismo: Deixar de fumar reduz significativamente o risco.
  • Diabetes: através do controlo de peso, de uma alimentação saudável e da atividade física, é possível manter a diabetes sob controlo ou mesmo preveni-la.
  • Falta de atividade física: a prática regular de exercício físico fortalece o coração e reduz significativamente o risco de doenças cardíacas.

Epigenética e influências ambientais

A ciência demonstra que os fatores relacionados com o estilo de vida e as influências ambientais podem ter um efeito epigenético. Isto significa que influenciam a forma como os genes são ativados ou desativados. Um estilo de vida saudável pode, portanto, influenciar a atividade dos genes que aumentam o risco de doenças cardíacas.

Detecção precoce e prevenção

As técnicas médicas modernas permitem a deteção precoce de fatores de risco. Exames de saúde regulares podem ajudar a tratar atempadamente problemas como a hipertensão arterial ou níveis elevados de colesterol. Com medidas adequadas, mesmo as pessoas com antecedentes familiares podem reduzir significativamente o seu risco.

Fatores psicossociais

O stress, a falta de sono e as tensões emocionais também podem contribuir para o desenvolvimento de doenças cardíacas. Ao abordar conscientemente estes fatores, por exemplo, através da gestão do stress ou de um equilíbrio saudável entre a vida profissional e pessoal, é possível minimizar ainda mais o risco.


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